Um general do Sudão do Sul e dezenas de soldados foram mortos nesta sexta-feira (7) quando um helicóptero das Nações Unidas que tentava retirá-los da cidade de Nasir (norte do país) foi atacado, de acordo com o governo.
A ONU afirmou que o incidente foi “absolutamente abominável” e um possível crime de guerra que pode prejudicar um processo de paz já frágil.
A tripulação tentava transportar soldados após intensos confrontos entre as forças nacionais e a milícia White Army, um grupo que o governo do presidente Salva Kiir associa a seu rival e primeiro vice-presidente, Riek Machar.
Em pronunciamento nacional para anunciar as mortes do general Majur Dak e de outros soldados, Kiir disse que Machar lhe havia assegurado, assim como ao representante da ONU, que o general estaria seguro e que a missão de resgate deveria voar para Nasir para retirá-lo com seus homens.
O Ministro da Informação, Michael Makuei, disse aos repórteres que possivelmente 27 soldados teriam sido mortos. Um membro da tripulação da ONU estava entre as vítimas.
Não estava claro se o helicóptero foi atingido enquanto estava no ar ou se o ataque ocorreu com a aeronave em solo.
O porta-voz de Machar, Puok Both Baluang, se recusou a comentar o ataque. O partido dele já negou envolvimento nos recentes confrontos em Nasir. O chefe da Missão da ONU no Sudão do Sul (Unmiss), Nicholas Haysom, disse que o ataque foi “absolutamente abominável” e pode constituir um crime de guerra sob a lei internacional.
“Também lamentamos a morte daqueles que estávamos tentando resgatar, especialmente quando recebemos garantias de passagem segura. A Unmiss solicita uma investigação para determinar os responsáveis e responsabilizá-los”, disse ele.
Baluang afirmou no início desta semana que as forças de segurança haviam detido o ministro do Petróleo, da Construção da Paz, o vice-chefe do Exército e outros altos oficiais militares aliados a Machar, potencialmente colocando em risco o acordo de paz de 2018 que encerrou uma guerra civil.
A White Army, composta principalmente por jovens armados do grupo étnico nuer, lutou ao lado das forças de Machar na guerra civil de 2013-2018.
O presidente reiterou nesta sexta que o país não voltaria à guerra, mas analistas alertaram que as tensões crescentes poderiam levar a um conflito em grande escala.
A ONU, em um comunicado, instou “todos os atores a se absterem de mais violência e para que os líderes do país intervenham urgentemente para resolver as tensões por meio do diálogo e garantir que a situação de segurança em Nasir, e de forma mais ampla, não se deteriore”.
A missão da ONU no Sudão do Sul foi estabelecida logo após o país conquistar a independência do Sudão, em 2011. Quase 20 mil soldados, de 73 países, compõem a tropa das Nações Unidas.